sábado, 31 de março de 2012

"Nascemos num país cristão e nem por isto devemos todos seguir a religião que nos impõe. Nascemos num país com os mais variados traços, mas quando vemos alguém tatuado no meio da rua o apontamos o dedo. Os ateus são quase filhos do Diabo e os agnósticos indecisos. Nascemos num país das divergências culturais, onde existe Iemanjá e índios que cultuam o mar. Nascemos num país com tanta cultura, escritas magníficas, pinturas coloridas, boa música de tantos artistas. Tanto talento em cada poço de esgoto, esquina sem parede, favelas destruídas. Mas acima de tudo nascemos no país do desrespeito, não tão diferente dos outros países. Eu só não consigo compreender como logo o Brasil é assim. Logo o país colonizado por tanta diferença, tanto calor humano, tanto trabalho junto. Imagine os portugueses sem os africanos, mesmo com o trabalho que nenhum ser deveria ser imposto a fazer. Os mais variados estilos, crenças, metodologias, diferenças. E se você quer respeito, saiba respeitar. Não é porque você nasceu com a cor de pele europeia que deve xingar aquele que herdou a cor da pele dos amigos que moram logo abaixo da Europa. Talvez eu tenha um pouco de nojo ou pena, talvez seja mais isso, pena. Cada qual que ponha suas ideologias a frente do mundo e maltrate os que não seguem seu ritmo. Cada qual que use palavras toscas contra os que eles dizem ser “diferentes”. É bem assim, Brasil, que você vai para frente. Humilhando, roubando, maltratando. Têm tanta coisa boa nesse país. Vamos esquecer as diferenças e tentar ao menos um pouquinho ser humano e respeitar. Sorrir para alguém na rua não mata. Ser gentil não te arranca os braços. Dá a vez no trânsito não te faz menor que ninguém. Ser ético e esconder um pouco do seu ego. Coisas óbvias que não deveriam ser lembradas por ninguém, mas o que posso fazer. Sou só mais um jovem no meio de tanta terra. Não quero revoluções com armas, seixos e brasa. Quero um pouco de respeito, somente."

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