sábado, 26 de maio de 2012

Eu vou avançando o sinal, porque mais do que nunca eu percebo que chegou a hora. Eu te avistei de longe há tempos, calmo, quieto, sensível, risonho e te imaginava lançando olhares e sorrisos para mim com um gesto de felicidade e não de medo. Eu amedronto todos com o meu jeito amargo e frio de viver, mas por você eu juro que eu me aqueço, te aqueço, nos aqueço. Juro que te olho te amando, que te olho te sorrindo. Juro que se o sinal vermelho não baixar para o verde, eu atravesso essa pista de a pé, te jogo e te mostro o motivo para você sorrir feito um bobo. Eu pulo os carros, desando das leis, deixo o meu carro no meio da pista, mas eu corro até você. Eu estou aos prantos, amargurada, sensível. Eu choro com o seu sorriso porque eu… eu não posso tê-lo. Ter-te. Eu te censuro, porque querendo ou não, eu sei que as minhas bobagens mexem contigo. Eu te acalmo te prometo. Deixo você acordar meio-dia, deixo você ir dormir meia-noite e caso um bicho monstruoso apareça na nossa cama de vez em quando juro que grito baixinho para não te acordar. E eu te prometo que caso a sua ferida volte a doer, eu a cicatrizo com o meu amor, com a minha face quente e com o meu coração arrematador.
Ana Martins; amor na pista.  

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