| — | Isabella Duque, tenho que parar com essa mania de te comparar aos astros. Brilhamos. |
"Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso." Mateus 11: 28
domingo, 20 de maio de 2012
“Mas a saudade bateu, amor. E por mais que você tenha dito que não queria mais me ver, peguei o casaco, a bolsa e fui ao teu encontro. Me desculpe por ser assim tão intensa, eu sei, isso incomoda. Mas lembra das noites em que ficávamos deitados com as pernas cruzadas, olhando o céu em silêncio? Eu sei que soava pesado demais, clichê demais, mas eu dizia que era tudo seu aqui dentro. E por mais que aquele momento não precisasse de palavras, eu insistia em dizer. E por Deus, agora vou andando pela rua, te vendo em outras pessoas e querendo gritar para cada uma delas escutar que ainda é tudo seu, e quem sabe assim, você escute. Desculpa, eu sou demais. Tudo em mim é demasiado, eu sei. Isso pesa até para mim, acredite. E eu viro aqui, eu viro ali, e por mais que eu saiba o caminho da tua casa eu insisto em virar nessas ruas desconhecidas, nesses becos, só para verificar que você não está ali se escondendo de mim. E onde quer que você esteja, você está olhando o céu? Eu já te comparei com estrelas, mas dessa vez eu queria te comparar com a Lua. Por que essa mania de te comparar com os astros? Você sempre me perguntava isso e eu não tinha uma resposta. Mas agora, olhe, eu estou indo a caminho da tua casa, e eu tenho tantas coisas para lhe dizer. Só que Deus, por favor, faça com que ele abra a porta quando eu disser o meu nome. Eu estou nervosa, e acredite, mais pesada do que nunca. E agora eu estou na sua rua, então, por favor, não apareça na janela e nem saia na porta, eu não quero ter um encontro brusco com você e ficar pálida na sua frente, com cara de boba sem saber o que falar. Eu vim treinando o caminho todo. Eu estou subindo os três degraus e batendo na tua porta. Disse o meu nome, e então você abriu a porta. E eu soltei todas as palavras. “Olha, por favor, só me escute: Eu tenho a resposta do por que sempre lhe comparava aos astros. Eles são misteriosos, e você também. Da primeira vez em que te comparei com as estrelas foi porque você sempre desaparecia no dia, e a noite, me cegava os olhos com seu brilho. Agora, eu quero lhe comparar a Lua. Porque ela é nossa. Ela sempre foi. E eu sou estrela, mas eu sou estrela quente e que te dá a luz. Eu sou o Sol. Então por favor, seja a Lua que precisa da minha luz. Entende? Entende o que quero dizer-lhe? Eu sei que não. Aliás, eu vim aqui só pra lhe dizer que é tudo seu aqui. E eu gritei isso para todos no caminho até aqui, mas nenhum deles me escutou. Talvez, você me escute. Eu só queria, na verdade, ter um pretexto para lhe ver. Agora, me convide para entrar, por favor, e me deixe ver o céu esta noite com você.”
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