| — | Arthur Macedo |
"Venham a mim todos vocês que estão cansados de carregar suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso." Mateus 11: 28
quarta-feira, 30 de maio de 2012
“Viemos de fábrica com uma pitada de poesia dentro de cada um de nós. O que diferencia um dos outros, é a liberdade que os mesmos dão à tal poesia. Alguns reprimem-a e prendem-a em uma cela trancafiada à catorze chaves - sete é muito pouco -. Já outros, nem ligam para essa tal poesia. A hora que transbordar transbordou, e quando não transbordar, que venha a seca. Também existem aqueles que estão sempre fazendo um tour dentro de si em busca de vestígios da tão amada - e temida - poesia. Esses deixam a tal da poesia livre, livre pelos quatro cantos do mundo - que por sinal, não têm esses cantos, pelo fato dele ser redondo -. Esses deixam a poesia voar como uma borboleta que plana por cima das mais belas flores do mais belo jardim durante uma tarde de primavera; deixam a poesia voar como uma folha solitária que voa rente ao chão logo após cair da árvore num fim de tarde de outono; deixam a poesia espalhar-se como os raios de Sol espalham-se logo pela manhã num dia quente de verão; deixam a poesia vir junto com o vento gelado que vêm de encontro ao seu corpo quente logo após o seu banho numa noite de inverno. Esses alguns são melancolia e monotonia; esses alguns são arco-íris e temporal; são colorido e preto e branco; são loiros e são morenos; são ruivos e são castanhos; são explosivos e são a paz; são a guerra dentro de si e são a paz interior; são e não são; são, mas muitas vezes não são o bastante; são, e deixam de ser; são até demais; são. Esses, há muito tempo, deixaram de ter uma pitada de poesia dentro de si. Esses, há muito tempo, são poesia. Poesia-ambulante.”
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