sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Vou mentir dizendo que não te quero hoje como se não te quisesse todos os dias. Te ligar, dizendo que pela manhã - numa das minhas crises existenciais - apaguei todas as suas mensagens na esperança de que fosse aos poucos te deletando da minha vida também. Apaguei as chamadas do celular, discadas obviamente, porque tu nunca perdestes 5 minutos de tua vida ligando pra mim. Eu que sempre gostei de uma maratona e fiquei nessa de perder tempo correndo atrás. Se me desafiassem a correr na São Silvestre, dizendo que no final teria um prêmio e que esse seria te ter para toda a vida, passaria infindáveis horas por dia treinando, anciosa, esperando pelo grande dia. E que quando chegasse, mesmo que a única competidora fosse eu, daria tudo de mim, absolutamente tudo, para mostrar-te que sou capaz. Que agora sim, aquela menininha se foi, que virei mulher e não cometerei tais erros novamente. Oh, droga! Menti de novo. A menina não se foi, ainda está aqui. E creio que estou longe de ser mulher, acho que serei sempre a garotinha tola e errante que espera que o sapo vire príncipe. Mas, diga-me, há um mal tão grande em esperar que sapos virem príncipes? Afinal, eles prometem! Não são sempre os mesmos, mas usam das mesmas palavras. Me dizem que irão mudar, que por mim vale a pena… E o meu final com todos eles? Bom, sempre foi o mesmo também. Sugam o que podem de mim e depois me jogam fora, como uma caixinha de achocolatado vazia e já sem serventia. Para eles, claro. Porque logo mais tarde aparecem uns garis, uns lixeiros, recolhendo-me para reciclagem. E lá vou eu, naquela caçamba com milhares de outras caixinhas que acreditaram nos malditos sapos. Desgraçados! Não viraram príncipes merda nenhuma. Que conto de fadas mais confuso viu. Além de ser todo ao contrário também não tem final feliz. Já teve um começo todo errado e o meio vem se arrastando sem ter um aviso prévio de quando realmente irá terminar. Confesso, não espero mais que seja um final agradável, só quero um final. Algo que finalize logo essa balbúrdia de sentimentos, esses sapos mentirosos e esses príncipes que só existem na minha mente.Que as caixinhas de achocolatado não sejam só mais usadas e jogadas fora, que tenham sempre uma serventia. Que eu te esqueça, espero que eu te esqueça logo… Porque meu caro, estou cansada de inventar contos e maneiras esdrúxulas de tentar tirar nem que seja só por um poquinho você da minha mente. E veja que ironia, justamente inventando contos e essas tais maneiras é que te encaixo nelas; e só de pedir para esquecer acabo me lembrando." 
- Luana Rabello, ac-alma.

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