domingo, 8 de julho de 2012

"Alguns dias você vai olhar para o lado e ver gente demais. Demais! E vai querer se trancar o quarto e se isolar do mundo, se isolar de todos. Companhia pode ser veneno às vezes. Quando a gente está entre a multidão é fácil se sentir um ser apenas, um ser a mais. Você vai preferir o silêncio ao barulho porque o mesmo atormenta e acusa. Acusa de não ser especial como acreditamos, e parece um choque, de primeira. O barulho é nosso maior medo, às vezes. Somos só mais um. Somos só quem somos e apenas quem somos. E isso, às vezes é bom. Ter que lidar com a verdade crua e sem máscaras: somos iguais à todos os outros. Isso nos tira um pouco das nuvens o nos faz mais pé no chão, mais resistente. Mais cabeça no lugar. 
Alguns dias, você vai olhar para o lado e não ver ninguém. Ninguém! E vai querer se trancar no quarto e chorar, e vai pensar em desistir, e vai querer ligar para um amigo que já não te atende. Solidão pode ser veneno às vezes. Quando a gente está sozinho é fácil se sentir abandonado e perdido. Você vai sentir falta do barulho e o silêncio vai te devorar. Te devorar porque, naquele momento, você sente como se perdeu os seus amigos, a sua família, o seu amor, e agora é mais único, porém sozinho. E a solidão mata, a solidão grita. O silêncio vai te gritar, e dizer-te que foras insuficiente. E você vai carregar o mundo nos ombros, e vai se sentir caindo no chão. E isso, às vezes é bom. É bom ter que lidar com a própria companhia, e se descobrir melhor. E ser mais único, e mais auto-suficiente. E aprender a ser feliz mesmo quando o mundo desabar e a escuridão te tomar."

Gabriela Hubner

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