quarta-feira, 25 de julho de 2012

Quantas noites mais de solidão na janela entre cigarros e canções tristonhas, sofrendo tua dor? De que serve ser anjo se minhas asas não servem pra voar até teu lado e tocar teu coração num abraço? Daqui de cima eu ouço os carros com músicas altas e motoristas alcoolizados indo em encontro de uma vida boêmia e mais dois ou três amores de uma noite. Não os invejo por sua alegria fabricada. Invejo a tua tristeza. Quero-a pra mim. Não chora, amor. O sol nasce todas as manhãs e por mais densas que sejam as nuvens, o calor consegue nos alcançar aqui em baixo, pobres mortais dependentes de sua energia. Vou levar o sol pra você. Vou levar calor pro inverno da tua alma. Vou te dar meus sorrisos até que tu encontre os seus novamente. Hei de te cuidar como a menina cuida de sua boneca, primeiro, mais singelo, mais forte e infinito amor que conhece. Vamos recolher tuas dores pra começar de novo. Juntos. Nem que eu tenha que dar a ti todo o bem que há em mim e não me sobre um sossego, só pra que tu voltes a ter noites de sono tranquilo. Perdoa o excesso de clichê. Rezo pelo teu bem aos deuses que nunca acreditei. Preciso acreditar que algo te cuida enquanto não posso.
Com amor, Cecília.

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