terça-feira, 7 de agosto de 2012

Eu não queria me apaixonar, não queria...


Acordei mais cedo que o normal. Lavei e sequei meu cabelo antes do trabalho. Aproveitei meu horário do almoço e fiz minhas unhas e sobrancelha, me produzi toda para o cheque – mate. Ao fim do expediente tomei banho, pus meu melhor perfume e um vestido frente única, que tira a atenção de qualquer pessoa. Peguei o metrô e fui ao nosso jantar, eram 30 minutos de viagens e na minha cabeça passava tudo como um flash...
Seu babaca, não era pra você me conhecer, nem para me destacar no meio de tantos amigos. Não era pra você arrumar meu numero de celular, nem me mandar sms no meio da noite... Não era, não era, não... Não era para você ter dito que pegaria meu coração no lixo e consertaria, pois só eu sou capaz de cuidar do meu coração. Eu não queria conhecer sua casa, nem seus pais, muito menos seus amigos. Eu que sempre fui cautelosa, te mantive escondido de todos, menos do meu bobo coração, nele já tinha um outdoor com a sua cara, ESTÚPIDA! Eu sabia que não era pra ser, eu me controlei tanto, eu repeti tantas vezes na frente do espelho... Pra nada. Quando me vi no cinema com você pela primeira vez, não sabia se olhava pra frente ou se mexia no meu colar, minha vontade era de sair da li direto para uma farmácia para comprar remédio e conter as borboletas no meu estômago.
- Você está cheirosa.
Droga, pra que eu pus perfume, eu nem queria isso?!?! Continuei a olhar pra tela. De tanto balançar meu pé de nervoso, ouvi um shiiiiiu, da poltrona da frente, ele não falou nada. Mesmo sem olhar, senti que ele estava rindo de mim... IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA!!! Saí do filme correndo para casa, disse que não estava com fome e peguei o primeiro ônibus que passou. Após passar pela roleta, vi que era o ônibus errado. Desci no ponto a frente e peguei outro ônibus. Só conseguia pensar que na hora do meu preparo, Deus errou a mão da lerdeza, até meus pensamentos serem interrompidos pelo meu celular vibrando, “já estou com saudades”, dizia a mensagem... BABACA, me deixa! Não respondi nada. Cheguei em casa pálida, minha mãe perguntou se havia acontecido alguma coisa, disse que não e corri para o computador, jogo maldito e viciante. Sem ao menos perceber, ele me viu online.
– Chegou bem em casa?
– Cheguei sim, obrigada. Estou muito ocupada jogando, depois falo contigo.
Errrrr, isso foi o que eu queria dizer, mas na verdade disse "Cheguei bem e você? A propósito vi seu sms, já estou com saudades também >.<“. Imediatamente meu cérebro gritou como se meu sistema tivesse localizado um vírus “Arquivo perigoso não abra, o encaminharemos para a quarentena e bla, bla, bla, bla, bla" ... A tola aqui continuou conversando com ele até varar a madrugada. E essa foi a minha rotina por meses. Ia ao cinema, shows, parques, ficava em casa jogando, vendo filmes juntos, jantares... Finalmente assumi que estava apaixonada e acreditei que ele também estava... Até eu deixar de ser “a novidade” dele e os “compromissos” dificultarem os nossos encontros, até eu não aguentar mais de dor e...
“Próxima Estação Botafogo, desembarque pelo lado direito” Esperei as portas abrirem e saí desfilando lentamente pelo metrô. Ele gaguejou ao me chamar de amor, disse que eu estava deslumbrante e o elogio feito por ele inflou meu ego e antes que partisse feito flecha para o meu coração exclamei:
 – Vim aqui para dizer que não dá mais para continuar, mas espero que a amizade continue.
Ele ficou incrédulo. Talvez por achar que seria ele que colocaria o ponto final ou por deixar aquela menina linda e apaixonada partir... Antes de qualquer reação da parte dele, sorri e saí, sem olhar para trás. Fui encontrar minhas amigas com o coração em pedaços ... Bebi e chorei todas, mas acordei com a alma lavada, pronta para encarar esse mundão. Fomos a praia de dia e a noite a uma festa e adivinhem quem estava por lá? O próprio. Ele veio todo cheiroso falar comigo pedindo uma nova chance e eu com toda delicadeza passei a mão em seu rosto e sorri dizendo, comigo, nunca mais!
Marie Motta

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