“Isto não é uma obrigação, acalme-se. Você pode conseguir ou não superar o que foi. Esquecer não faz parte desta vida, talvez nem de alguma outra. Você pode, no máximo dos máximos, positivamente falando, su-pe-rar. Cada sílaba é um período: negação, tristeza, superação. Quase como as tais fases do luto, mas, afinal, é isso, não é? Algo morreu, logo, faz-se o luto. Isso que sente agora pode ser entendido como o luto, ou a morte. Os dois, se assim quiser. O que você está negando, entristece. O que entristece, você quer superar. E como? Qual o botão ou a palavra mágica? Qual a noite de sono que recompõe mil insônias? Qual o segredo que devolve um bocado de sorriso? Quando você pensa que deve, precisa, tem que saber passar por cima disso, já está retrocedendo. A obrigação nunca foi entender os por quês desses loucos porquês. Aliás, não há obrigação. Olhe os seus próprios olhos, veja aquele espelho, escute o silêncio: quem está mandando o quê? Ninguém, além dessa cabeça semi-oca. Ninguém, além dos seus traumas não definidos. Não quer gritar? Não grite. Não quer chorar? Não chore. Não quer escrever? Dorme que o sono adia essa melancolia.
Um dia a gente respira sem aparelhos.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário