terça-feira, 14 de agosto de 2012


“Minhas bagagens são pesadas demais e meus olhos entregam um passado inteiro de mão beijada para quem quiser ver. Sempre acho graça quando leio um texto da Tati Bernardi, o qual ela diz que não consegue ser misteriosa -olha eu aqui sorrindo só de lembrar do texto-. Me encaixo perfeitamente em suas palavras. Não sei ser mistério, me entrego logo de cara, mergulho fundo. Porque em mim há um milhão de coisas a serem ditas. O jogo do me desvendar nunca vinga, afinal me doou no segundo encontro, começo a falar de mim sem parar e quando caio em mim, o que sei sobre você? Que mora na esquina seguinte, com seus pais, que possui irmãos…Tudo bem, nada além disso. Nada além do que qualquer conhecido poderia saber sobre ti.
Não me leve a mal, por favor. São apenas carências. Silêncios além da conta, com isso, quando vejo alguém se aproximando, apenas me jogo nos braços desse alguém, sem me preocupar até quando esse alguém irá me segurar. E os braços afrouxam, as pernas começam a ficar bambas. Lá estou eu no chão novamente.
Ninguém me segura por muito tempo.”
Marjorie Bittencourt.   

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