terça-feira, 28 de agosto de 2012


Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão? Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar, ficou deitado e viu que horas eram, enquanto Mônica tomava um conhaque no outro canto da cidade, como eles disseram. Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer, um carinha do cursinho do Eduardo que disse “tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”. Festa estranha, com gente esquisita “eu não tô legal”, não aguento mais birita” e a Mônica riu, e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar, e o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa “é quase duas, eu vou me ferrar”. Eduardo e Mônica trocaram telefone, depois telefonaram e decidiram se encontrar. O Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard. Se encontraram então no parque da cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”, o Eduardo achou estranho, e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo. Eduardo e Mônica eram nada parecidos, ela era de Leão e ele tinha dezesseis. Ela fazia Medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud e o Eduardo gostava de novela e jogava futebol-de-botão com seu avô. Ela falava coisas sobre o Planalto Central, também magia e meditação e o Eduardo ainda tava no esquema, escola, cinema, clube, televisão. E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente uma vontade de se ver e os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia, como tinha de ser. Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar. A Mônica explicava pro Eduardo coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar. Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer e decidiu trabalhar e ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular. E os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos, muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz. Construíram uma casa há uns dois anos atrás, mais ou menos quando os gêmeos vieram. Batalharam grana, seguraram legal, a barra mais pesada que tiveram. Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília e a nossa amizade dá saudade no verão, só que nessas férias, não vão viajar porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação.
— A história de amor mais cantada do Brasil (Eduardo e Mônica) - Legião Urbana

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