"Relacionamento nada mais é que uma troca: você tá trocando um pedacinho seu pelo pedacinho de alguém. Seja uma risada, um abraço, um beijo, uma relação mais íntima… Tudo isso exige reciprocidade. É uma regra, as pessoas envolvidas tem que estar dispostas a darem um pouco de si e receberem um pouco do outro. Eu me dispus a dar um pouco de mim e, sinceramente, não sei o que você decidiu fazer com ele. Mas o que eu recebi de ti… Bem, além de ter sido quase nada, eu recebi seus restos. Sabe aquela parte podre nossa que não se sabe como dar fim? Exatamente, você me deu essa parte. A parte onde mora a confusão, indisposição, falta de caráter e interesse. Lixo radioativo jogado no meu oceano. Você escolheu me dar essa parte, mas não te culpo. Eu sabia das consequências que teria por me envolver contigo e me envolvi assim mesmo. Não me culpo. Culpar pessoas é crueldade, culpemos as nossas cabeças. Culpemos você por ter tanto medo de nada mais, nada menos que uma menina-mulher. Culpemos a menina-mulher por continuar tendo menina no nome devido a sua incansável ingenuidade. Culpemos a toda vontade, todo fogo, toda vida dentro dela… E também ao alinhamento perfeito desse fator com a sua juventude e imaturidade. Culpemos os astros, culpemos os dias, culpemos o próprio ato de querer arranjar um culpado. Faltou amor próprio da parte da menina-mulher, faltou sensibilidade e um tiquinho de consideração da parte do jovem imaturo ao saltar numa piscina a qual ele já sabia da pouca profundidade. Faltou pensar melhor antes de tomar uma atitude. Faltou coerência, tinha tudo pra não ser e ainda assim os dois quiseram que fosse. Faltou? Sim, faltou. Mas já foi. Não adianta chorar águas passadas. O jovem imaturo deve crescer logo. E a menina-mulher abandonará seu prefixo certo dia. Quem sabe então eles se encontrem… Quem sabe não."
— Radioatividade
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