segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Se Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e eu trocamos dez palavras durante a vida, foi muito. Bom dia, como vai, até a volta - às vezes nem isso. Há pessoas com quem as palavras são desnecessárias. Nos entendíamos e amávamos mudamente, meu pai e eu. Talvez pelo fato de sua figura emocionar-me tanto, evitei sempre pisar com ele o terreno das coisas emocionais, pois estou certo de que, se começássemos a falar, cairíamos os dois em pranto. Tão grandes eram em nós os motivos para chorar: tudo o que podia ter sido e que não foi; tudo o que gostaríamos de dar um ao outro…
Vinicius de Moraes, O dia do meu pai 

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