“Se um silêncio repentino me tomar, é porque bebi demais você. Bebi até tropeçar nos meus próprios pés, cambalear, cair, adormecer no chão frio ou numa escada que não liga ao teu quarto. E se caio assim, é porque bebi ainda mais de nós. Vomito saudade, você bem pode ver. Vomito o que me vence agora por um minuto ou uma eternidade. Eu vou sim cuidar de mim, de ti, das flores que um dia enfeitarão as nossas janelas e dos sonhos escondidos que um dia brilharão aos nossos olhos. Mas eu não posso – ainda – controlar o tempo, nada além de suspirar enquanto te espero, porque te espero, com paciência de algum ser maior que não sou, te espero. Será que eu ainda vou te convencer do quanto a gente precisa respirar com mais calma? Será que você vai perceber que eu ainda não soube me despedir? Te trouxe comigo e acho, meu amor, somente acho que você gostou daqui. Deve ser essa bebida louca com gosto de amor, líquido forte que eu ainda não havia provado desse jeito.
Ah, mas cabe, ainda cabe muita bebida de ti no meu fígado, no meu coração e no meu sangue inteiro. Cabe você na minha vida, todos os dias.”
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