Apaixono-me por silêncios e de silêncios sou composta. Minha cama, meu quarto, meu jardim; silenciosos. Minhas mãos que compulsivamente escrevem, minha fome que nunca ronca, minhas costas que jamais estalam; minha mudez. Mas pela nudez da entrega do amor e pelo modo como seus olhos me invadem e desvendam, confesso a paixão pelo som da tua fala ousada em meio ao meu vazio. Da tua cantoria, declamação ou exclamação sussurrada que invariavelmente quebram a ausência de ruídos que tanto prezo. Porque tua voz é minha voz em outra garganta, querido.”
| — | Claudia Calado |
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