terça-feira, 23 de outubro de 2012

Todas essas coisas que inventamos e reinventamos nos dias iguais e repetitivos quase nos afundaram. Deixamos a rotina toma conta da semana e a sexta-feira era sempre uma eterna saideira. Um porre e pro sábado uma dor de cabeça que parecia durar a vida inteira. Que merda estamos fazendo? Jogamos fora o que construímos em anos. Somos tão frágeis quanto um castelo de areia rente ao mar que brinca com o perigo e parece gostar. Mas somos coragem também, coragem de quem dá a cara a tapa e ri faz piada das próprias feridas. Eu digo com a garganta arranhando “Ele não sabe mais de mim.” E não minto quando digo que adoraria me enrolar no chão e ficar por lá, no frio com a carne viva esperando pelo momento oportuno pras piadas - só não vejo graça. Não vejo graça quando teus olhos fogem tentando encontrar uma saída tentando não deixar transparecer o quanto a saudade de nós martela nos teus ouvidos. Vontade imensa de puxar teu corpo pela gola, gritar no teu ouvido que estamos entrando num beco sem saída e que, a única saída é voar - com as asas que um dia tivemos - ou morrer ali. É quase romântico, mas fica mórbido demais quando lembro que teus olhos jovens e lembro que, muitos sábados de ressaca ainda estão por vir. Nada tem muito sentido quando me vejo me perdendo de você, esquecendo a cor dos teus olhos e o cheiro da tua nuca suada. Fecha teus olhos e volta, solta no meu ouvido uma gargalhada pra fazermos de nós um riso eterno. Me deixa dizer que você não sabe mais de mim, mas quer muito redescobrir.
HelenaF 

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