Não faz por mim o silêncio que eu não sei fazer.
Lista em segredo todas as coisas erradas que eu te disse, enfia em uma garrafa, bate na minha porta e sai correndo. Deixa aqui pra eu ver, escreve à lápis que eu apago cada uma delas e te devolvo em branco, sem rabiscos, sem sombra do que passou pra você nunca mais lembrar. Eu mudo até a composição das minhas células pra você gostar de mim.
Vem aqui e encosta o ouvido no meu peito pra ver como é difícil viver com o coração em solavancos. Aqui é escuro mas é quentinho e eu sei que as coisas que se escondem dos olhos dão medo, mas eu não deixo você encarar meu avesso sozinho, eu te ajudo, vai! Só pra você gostar de mim…
Me ensina a ler seus olhos quase sempre molhados e sua garganta muda, me ensina a fazer carinho onde nem você sabe que precisa, me ensina a saber você que eu te mostro como é estranho essa fome inquieta de agarrar o horizonte com os olhos e engolir o infinito com as mãos, me empresta a tua calma pra sossegar minha ânsia de destino, eu procuro um meio termo pra você gostar de mim.
Não vou me desculpar por amar seu jeito de chorar enquanto ri, não vou jurar que essa vontade de sumir toda manhã vai passar um dia, não vou colecionar suas patadas gentis numa caixinha, não vou prometer nada se você não pedir, mas se for pra você gostar de mim, eu aprendo a dizer menos que não. Só pra você gostar de mim.”
| — | Daniella Leal |
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