sábado, 24 de novembro de 2012

"Uma coisa só existe, de fato, quando damos algum significado e importância a ela. O amor, por exemplo: quem nunca amou não é capaz de descrevê-lo ou falar sobre ele. Muita gente fala de amor como se ele fosse apenas mais uma palavra qualquer no dicionário. Outros, porém, que já o sentiram e viveram, mal sabem falar de amor pelo fato de não saberem como defini-lo ou explicá-lo. Quem nunca amou de verdade também nunca deu importância à felicidade de verdade, essa é a verdade. Quem nunca amou pensa e diz que amor não existe, porque para estes, não há significado algum no ato de amar. Uma coisa a qual não damos a devida atenção - é triste, sei bem - não passa apenas de mais uma coisa no mundo. Muita gente escreve como se as letras não passassem de uns borrões de tinta no papel. Outros, porém, encontram na escrita uma maneira de se expressar, de se libertar, de se permitir. Os que nunca escreveram sequer um bilhetinho com letras embaralhadas para alguém especial, não tem noção do frio que dá na barriga só em pensar na reação do outro ao ler. Quem nunca escreveu ou sentiu vontade de escrever sobre as cicatrizes no peito, sobre a falta que faz o sorriso de alguém ou sobre como é triste passar a maior parte do tempo se sentindo sozinho, não conhece, de fato, a sensação de ter o peso nas costas aliviado em palavras. Quem nunca quis escrever sobre alguma situação engraçada, sobre o sorriso de alguém ou sobre a vida em si, não tem ideia do quanto o papel pode se tornar também um segundo baú de recordações depois da mente. Eu olho pra essas pessoas que não dão importância ao amor ou a leitura ou a música ou a arte e me pergunto: como alguém consegue viver assim? Coisas boas e bonitas a gente não só pode como deve deixar que existam, não só nas nossas vidas, mas principalmente dentro de nós. E pra que elas existam, precisamos acreditar nelas. Caso contrário, tudo isso não vai passar de um blábláblá."
Capitule. 

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