quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

São essas minhas mudanças de humor repentinas que acabam comigo, sabe? Não. Desculpa, mas você não sabe. Se eu não sei, se eu não me entendo, ninguém entende. Meus amigos, a minha mãe, meus vizinhos, a caixa da padaria, nenhum deles entende. As pessoas acham que sabe. E que mania feia que as pessoas têm de achar que sabem tudo e sobre qualquer assunto. No máximo acabam distribuindo conselhos que não serão seguidos nem por mim e nem por qualquer outro que também sofra dessa variação de humor. E isso está acabando comigo. Digo: não estar bem por um dia inteiro. Não ter um sentimento linear. Conseguir transformar minha tristeza em felicidade em apenas um segundo. Não, eu não sou bipolar. Isso é doença e não estou doente. Isso é modinha de quem não entende a gravidade e não sou desses. Pode ser drama, chilique, frescura ou sei lá o que. Mas esse sou eu. E nem o terapeuta consegue me dar respostas. Acha que me entupir de remédios e sentar naquela poltrona com um bloquinho de notas e me ditar verdades vai me fazer funcionar direito. Ei, não estou faltando peças. Sou eu, será que ele não entende? É a minha mudança de humor que me afeta. Eu sei, ele só está querendo ajudar. Pois, ele que procure outra cobaia. Ah, quer saber? Daqui alguns segundos essa crise existencial chega ao fim. Afinal, eita humor variável esse meu.
Querido John

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